Este é um assunto da mais alta importância na arte fotográfica. Considerando um determinado enquadramento feito pela objetiva da câmara, como por exemplo uma paisagem, a imagem formada dentro da câmara tem necessariamente uma área de nitidez, ou seja, uma área em que determinados elementos estão perfeitamente focados. Ora, essa área é variável, podendo estar nítido apenas um elemento, ou dois, ou ainda toda a paisagem. Quando toda a paisagem está em foco, dizemos que se trata de uma grande profundidade de campo, e quando apenas alguns elementos selecionados estão em foco, dizemos que a imagem tem pouca profundidade de campo. Então, a profundidade de campo regula a área de nitidez de uma imagem fotográfica, podendo ser assim definida:

A área de nitidez entre dois planos determinados que aparecem nítidos é chamada PROFUNDIDADE DE CAMPO.

Dissemos que numa paisagem, podemos escolher entre deixar todos os elementos em foco (nítidos) ou selecionar alguns. Como isso pode ser controlado? É que a profundidade de campo é determinada por dois fatores básicos, que são:
1. A abertura do Diafragma
2. O Tamanho da Imagem formada

O segundo fator, tamanho da imagem formada, depende de dois outros fatores, que são:
a) A Distância Focal
b) Distância entre a câmara e o assunto

Assim, temos que, selecionando o diafragma, a objetiva e a distância entre a câmara e o assunto, podemos controlar a profundidade de campo. A razão dentro de cada um desses fatores é a seguinte:
Quanto ao diafragma, quanto mais fechado, maior profundidade de campo, e quanto mais aberto, menor.
Quanto à objetiva, quanto mais grande-angular, maior a profundidade de campo, e quanto mais tele, menor.
Quanto à distância câmara-assunto, quanto mais próximos estamos de um assunto, menor a profundidade, e quanto mais afastados, maior. Mas, sobre o tamanho da Imagem, cumpre dizer que tanto a distância câmara-assunto quanto a distância focal são faces de uma mesma moeda, e que se traduzem no ângulo abrangido (tamanho do assunto) pela objetiva.

A ilustração ao lado nos dá alguns exemplos de profundidade de campo.
Uma abertura grande dá menos profundidade ou área de nitidez do que uma pequena. Com uma lente de 50 mm focalizada a 3 metros do assunto, uma abertura f/2 fornece uma profundidade de 30 centímetros; isto quer dizer que qualquer assunto dentro dessa área sairá nítido. Entretanto, uma abertura de f/16, na mesma situação, dará uma profundidade de 2,7 metros, criando uma área grande de nitidez na frente e atrás do assunto.

À medida que aumenta o tamanho da imagem para um dado assunto a profundidade diminui. Então se pode reduzi-la, chegando mais perto daquele ou mudando para uma lente de distância focal mais longa, que também tem o efeito de aumentar o tamanho da imagem.
O inverso é verdadeiro: diminuindo o tamanho da imagem do assunto  afastando-se deste ou  mudando para uma lente de distância focal mais curta aumenta a profundidade, dada a mesma abertura.

A razão pela qual uma pequena abertura implica em grande profundidade de campo está nos chamados “Círculos de Confusão”, que são os minúsculos raios de luz que passam pelas lentes da objetiva e formam uma imagem no fundo da câmara. Se o tamanho dos círculos for pequeno, será grande a profundidade de campo, e vice-versa. O tamanho destes círculos é determinado pela abertura do diafragma, já que os raios de luz são condicionados a passar pelo centro da lente, concentrando-os.

A profundidade de campo também tem implicações estéticas, ou seja, a escolha de maior ou menor área de nitidez numa foto pode ser muito relevante para um determinado assunto.
Isso se dá porque o ato de fotografar implicará na transformação de uma perspectiva tridimensional noutra bidimensional, que é justamente o fotograma.

Foto tirada com uma grande angular: além da perspectiva, que permite enquadrar objetos próximos e distantes ao mesmo tempo, temos também uma grande profundidade de campo. Foto: Filipe Salles


Não obstante, uma paisagem ainda assim será tridimensional segundo nossa percepção, e os vários planos de cada elemento da paisagem aparecerão diferenciados de forma a nos dar uma perspectiva de distância entre cada um destes elementos, como árvores, pessoas, etc…
A profundidade de campo é, além de uma conseqüência física direta da ótica das lentes, também um recurso que simula esta distância entre elementos num plano bidimensional, deixando determinadas áreas nítidas e outras não, gerando assim pontos de interesse maior que outros, ou equilibrando diversos pontos com maior área de nitidez.

A nitidez geral pode influenciar grandemente a percepção fotográfica dos assuntos incluídos na cena. Se for demasiada, poderá criar um caos visual que afogará o assunto numa avalanche de detalhes irrelevantes. Se for de menos, deixará partes importantes do assunto mal definidas e até irreconhecíveis. A medida exata varia muito, dependendo do assunto, e deve ser escolhida segundo a sensibilidade pessoal do fotógrafo.

Em oposição ao primeiro exemplo, este, tirado com uma objetiva normal, não permite o enquadramento de muitos elementos distantes, sendo que estes e os mais próximos ficam desfocados, em virtude da pouca profundidade de campo. Foto: Filipe Salles

IV) Distância Hiperfocal

Se temos um assunto focalizado a grande distância, podemos ganhar profundidade de campo utilizando a distância Hiperfocal de uma lente. Consiste numa relação de profundidade cuja referência é o foco no infinito. Desta maneira, se o assunto está pouco antes do infinito, podemos mover o foco final deste para o limite do assunto, ganhando maior profundidade antes do assunto, ou vice-versa, estender o foco tendo como limite o assunto e indo até o infinito.
Como exemplo, imagine uma lente 50mm com foco a dez metros e diafragma f/22. Como a profundidade natural desta abertura é grande, temos também, em conseqüência, maior mobilidade da hiperfocal. Se quisermos, ao invés de ter foco na região completa da profundidade, selecionar o foco para que este não acabe no infinito, podemos consultar uma tabela da hiperfocal no diafragma e na distância focal vigentes e focalizar a objetiva muito antes de dez metros, até que o infinito saia de foco, mas o assunto não.

BIBLIOGRAFIA DE APOIO:

ADAMS, AnselA Câmera. São Paulo, Editora SENAC, 2001
LANGFORD, MichaelFotografia Básica . Rio de Janeiro, Dinalivro/Martins Fontes, 1979
MUELLER, Conrad & RUDOLPH, MaeLuz e Visão. In Biblioteca Científica Life, Livraria José Olympio Editora, RJ, 1968

Apostila de Fotografia
Escrita por: Prof. Filipe Salles
Colaboração: Rodrigo Whitaker
Diagramação: Laura Del Rey
Copyright ©2004 Filipe Salles