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Entendendo Profundidade de Campo

Profundidade de que? Ahn? Isso morde?

dof = depth of field = profundidade de campo

É verdade, a princípio este termo pode causar um certo susto nos mais desavisados principiantes da fotografia. Eu mesmo demorei um pouco para entender, mas depois a “ficha caiu”. Se você der uma pesquisada no google vai achar milhares de explicações técnicas sobre o que é, os efeitos e técnicas de utilização. Mas eu sentia falta de algo mais simples de ser entendido.

O que é?

Profundidade de campo é o termo utilizado para definir qual o tamanho do plano nítido na foto. Planos diferentes podem ser entendidos como coisas a diferentes distâncias da câmera. Cada uma está em um plano diferente.

Para exemplificar, antes que você se desespere:

Na foto acima fiz com que a profundidade de campo fosse mínima! Ou seja, o espaço nítido na foto ficou bem curto. Pode se ver este espaço de nitidez claramente no texto legível da página. A parte de cima está mais distante da câmera (plano distante) e a de baixo está mais próxima (plano mais próximo), ambas totalmente borradas. A parte do texto que você consegue ler foi onde eu fiz o foco (plano central).

Eu deixei visíveis três planos, mas podemos também mostrar apenas dois, o plano focado e o mais distante, como nas próximas fotos.

Observe a diferença entre elas, a única coisa que as diferencia é a profundidade de campo. O foco foi feito no mesmo ponto em ambas.

Na primeira foto você vê nitidamente o escosto de cadeira ao fundo, não é?! Mesmo o foco estando na quina da caixa, o espaço nítido da foto (profundidade de campo) vai desde a caixa até o encosto de cadeira.

Já nesta segunda foto a profundidade de campo voltou a ser mínima. Você perceberá isso notando que nem o texto na lateral preta da caixa pode ser lido com nitidez, pois a profundidade de campo é bem menor que a própria caixa.

Se conseguiu ter uma idéia do que se trata pode estar se perguntando: Mas o que devo fazer para alterar essa profundidade de campo?

Bem, são basicamente 4 fatores que influenciam diretamente a profundidade de campo. Você pode encarar o primeiro dos fatores como uma notícia péssima, pois não depende de você alterar facilmente:

o tamanho do sensor da sua câmera (CCD) – A verdade é que as câmeras compactas tem sensores compactos, meio óbvio, mas este tamanho reduzido aumenta muito a profundidade de campo. Você talvez tenha se perguntado algum dia, como fotógrafos profissionais fazem fotos lindas com fundos desfocados e você com sua CyberShot não consegue fazer a mesma coisa, nem rezando? O sensor pequeno da sua máquina te limita, entendido? Mas existem algumas opções para você que não quer trocar de câmera, muito menos comprar uma profissional. Aí entram os outros 3 fatores que influenciam a profundidade de campo (Em inglês, Dof – depth of field)

Abertura do diafragma, o principal meio de manipular o dof – Para quem não faz idéia do que seja diafragma na fotografia, ele é o que regula a entrada de luz que vai chegar ao sensor ou ao filme. Procure mais a respeito porque não é o assunto principal deste post. No exemplo da caixa (2 fotos acima) eu usei abertura mínima na primeira e máxima na segunda. Em resumo, maior abertura de diafragma, menor profundidade de campo. Inversamente, abertura pequena resulta na profundidade de campo grande. Eu sei, pra quem tá tentando entender é meio confuso, muito confuso… mas com o tempo isso passa.

Curiosidade:
Pra quem é míope, principalmente muito míope, dá pra entender na prática como um orifício pequeno faz a nitidez da imagem aumentar. Muita gente já me olhou torto por afirmar isso, mas eu sei que é verdade, rs. É assim: com uma das mãos, feche os dedos (como em um sinal de OK) e faça um menor orifício possível por onde passe luz, e tente visualizar algo por este orifício (sem os óculos, claro né?). Agora olhe sem a mão, depois com a mão, percebeu diferença?! Aqui… se você não é míope e ainda está tentando, desista, seu olho já acerta o foco por você! Vamos ao terceiro fator.

Objetiva – é uma outra forma de alterar a profundidade de campo.

Isso é simples, se está usando uma tele, a profundidade de campo diminui bastante, agora se está usando uma normal ou grande-angular, a profundidade de campo fica grande (Na figura acima, a parte escura representa o Dof). Caso você tenha uma compacta e não faça idéia do que seja uma objetiva normal, tele, ou grande angular, aguenta firme que chegou a sua vez: Usar uma teleobjetiva é a mesma coisa que botar sua compacta com o “zoom” no máximo.

Faça o teste: Tire a foto de uma pessoa com o zoom no mínimo e depois a mesma foto do rosto da pessoa, mas com o zoom no máximo. (é claro que terá que dar vários passos para trás, né?). Observe como o fundo da foto se comportou em ambas as fotos. Perceberá que quando o zoom estava no máximo, o fundo desfocou mais. Se não aconteceu isso, tente nosso último fator:

Distância para o objeto focado – é isso mesmo… quer desfocar o fundo de qualquer jeito, custe o que custar? Vá se aproximando do objeto focado até quando a camêra ainda aceitar fazer foco. A distância é outro fator que vai fazer a profundidade de campo aumentar ou reduzir. Já percebeu que em fotos “macro” tem alguma coisa focada e o resto borrado? Normalmente as fotos macro são tiradas mais de perto, bem de perto e isso faz com que o Dof diminua muito.

Bem, é isso. De repente você vai usar pouco esses conceitos, mas se deseja explorar várias possibilidades que a fotografia lhe oferece, teste, experimente, descubra!! O resultado sempre é fantástico!

Abraço a todos!! E fiquem com mais alguns exemplos de uso! Tchau!

A descoberta da fotografia não aconteceu como muitos poderiam pensar de uma hora para outra. Como veremos mais adiante, a busca do meio fotográfico levou centenas de anos para se concretizar. A verdade é que o desejo da fotografia ou alguma coisa semelhante, parece ser intrínseco ao homem -um instinto quase-. O desenho e a pintura na sua forma mais básica não são nem mais nem menos, do que manifestações do grande desejo de RETRATAR O MUNDO que todos nós possuímos desde a infância e que é comum tanto nos primitivos quanto nos civilizados.

Historicamente, sabemos que mesmo antes de existir a escrita, os primitivos já se comunicavam por meio de desenhos pois a imagem precede a palavra escrita na ordem evolutiva da linguagem. Mesmo depois que a escrita evoluiu, tanto o desenho como a pintura e outros meios de comunicação visuais continuaram a ter enorme importância no processo cultural e civilizatório.

Mesmo com o florecimento da literartura e das artes representativas , a busca de um processo mais perfeito e mais realista de registrar o mundo continuou sendo insistentemente procurado atravez dos tempos. Isto deve-se ao fato de que as imagens comunicam em níveis diferentes aos da palavra seja ela escrita ou falada.

O fato é que enquanto não existiu a fotografia muitas – muitíssimas pessoas – estavam insatisfeitas com o que se podia fazer com o desenho e a pintura em matéria de REALISMO.

A fotografia representa o detalhe, a minúcia, a perspectiva, a luz, o momento fugaz, a espontaneidade, e a velocidade que muitos procuravam mas não conseguiam por outros meios. Não é de hoje a afirmação que a invenção da fotografia LIBERTOU a pintura para encontrar a sua verdadeira vocação expressiva. Poderíamos até afirmar que do ponto de vista de um determinismo histórico, a humanidade estava fadada a descobrir a fotografia ou alguma coisa semelhante porque não desistiria dessa busca até chegar ao que procurava. É necessário deixarmos claro que não se trata de fazer uma comparação qualitativa entre a fotografia e as outras artes visuais. mesmo assim, não pode restar dúvida que a fotografia se fazia necessária entre elas e que o lugar que conquistou em nossa civilização é muito especial.

O Principio da Câmara Escura de Orifício

Para sermos mais claros não se sabe quando foi inventada nem por quem. Uma das comprovações mais antigas que temos da sua utilização prática segundo o historiador alemão, Klaus opten Hoefel é da observação de uma eclipse solar pelo sábio árabe Ibn Al Haitam, na corte de Constantinopla no ano 1038. O princípio porém, é muito mais antigo pois já era conhecido na Grécia antiga quando Aristóteles  fez uma discrição da formação de imagens durante a passagem da luz por pequenos orifícios.

Na Itália, o progresso da câmara escura foi grande a partir de sua divulgação nos escritos de Leonardo da Vinci (1452 -1519). Da Vinci foi o primeiro a fazer uma discrição precisa do fenômeno da câmara escura. Posteriormente esta passou a receber diversos refinamentos um dos quais foi a introdução de uma lente convergente no lugar do orifício para dar uma imagem muito mais nítida e brilhante. Originalmente, a câmara escura de orifício era uma caixa ou mesmo um quarto escuro , no qual uma das paredes possuía um pequeno orifício por onde passava um filete de luz. Este filete de luz penetrando pelo pequeno orifício projetava na parede oposta, uma imagem do que se encontrava do lado de fora.

câmaras escuras de inúmeros formatos eram utilizadas para ampliar transparências e desenhos e mesmo para o retrato pelos artistas da época, mas até esse momento ninguém havia encontrado uma forma de gravar as imagens formadas dentro da Câmara escura a não ser pelo desenho.

É interessante notar que o crescente uso ao qual foi submetida a câmara escura nos séculos XVII e XVIII, como um aparelho auxiliar na execução de esboços e desenhos contribuiu muito para reforçar as pesquisas em torno de como melhorar e sobretudo fixar a imagem por ela produzida.

À época da Renascença, Leonardo da Vinci descreveu esse fenómeno físico no “Codex Atlanticus“, hoje na Biblioteca Ambrosiana, em Milão:

Quando as imagens dos objectos iluminados penetram num compartimento escuro através de um pequeno orifício e se recebem sobre um papel branco situado a uma certa distância desse orifício, vêem-se no papel, os objectos invertidos com as suas formas e cores próprias.
— Leonardo da Vinci, in Codex Atlanticus

Fotografia

A palavra Fotografia vem do grego φως [fós] (“luz”), e γραφις [grafis] (“estilo”, “pincel“) ou γραφη grafê, e significa “desenhar com luz e contraste”

Por definição, fotografia é, essencialmente, a técnica de criação de imagens por meio de exposição luminosa, fixando esta em uma superfície sensível. A primeira fotografia reconhecida remonta ao ano de 1826 e é atribuída ao francês Joseph Nicéphore Niépce. Contudo, a invenção da fotografia não é obra de um só autor, mas um processo de acúmulo de avanços por parte de muitas pessoas, trabalhando juntas ou em paralelo ao longo de muitos anos.

A fotografia, à medida que se torna uma experiência cada vez mais pessoal, deverá ampliar, através dos diversos perfis de fotógrafos amadores ou profissionais, o já amplo espectro de significado da experiência de se conservar um momento em uma imagem.

Fotografia como arte

A discussão sobre se a fotografia é arte ou não é longa e envolve uma diversidade de opiniões.

De acordo com Barthes, muitos não a consideram arte, por ser facilmente produzida e reproduzida, mas a sua verdadeira alma está em interpretar a realidade, não apenas copiá-la.

Fazer fotografia não é apenas apertar o disparador. Tem de haver sensibilidade, registrando um momento único, singular. O fotógrafo recria o mundo externo através da realidade estética.

Em um mundo dominado pela comunicação visual, a fotografia só vem para acrescentar, pode ser ou não arte, tudo depende do contexto, do momento, dos ícones envolvidos na imagem. Cabe ao observador interpretar a imagem, acrescentar a ela seu repertório e sentimento.

Fotografar é colocar na mesma linha de mira a cabeça, o olho e o coração.

—  Henri Cartier-Bresson

Essência da fotografia

A discussão sobre o uso da Fotografia é precedido pela tentativa de compreender sua imagem, o que ocorre desde seu desenvolvimento por diversos fotógrafos ao longo do século XIX

Os estudos históricos sobre a Foto iniciam por volta de cem anos após sua invenção. Já os estudos teóricos sobre a Fotografia parecem iniciar no pós-guerra.

Ora, os estudos iniciais da Fotografia, bem como os artistas ao longo do século XIX E XX se preocupavam com o problema da iconicidade da Fotografia, isto é, o potencial de sua imagem e o caráter de seu realismo. O primeiro sinal de problematização dessa modalidade de discurso está na obra de Walter Benjamin, cujo texto “A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica”, revela uma preocupação com a modificação da recepção da Fotografia e do cinema em relação aos meios tradicionais da arte, bem como o da multiplicação maciça da imagem.

Fotografia e memória.

Na fotografia encontra-se a ausência, a lembrança, a separação dos que se amam, as pessoas que já faleceram, as que desapareceram.

Para algumas pessoas, fotografar é um ato prazeroso, de estar figurando ou imitando algo que existe. Já para outras, é a necessidade de prolongar o contato, a proximidade, o desejo de que o vínculo persista.

A foto faz que as pessoas lembrem do seu passado e que fiquem conscientes de quem são. O conhecimento do real e a essência de identidade individual dependem da memória. A memória vincula o passado ao presente, ela ajuda a representar o que ocorreu no tempo, porque unindo o antes com o agora temos a capacidade de ver a transformação e de alguma maneira decifrar o que virá.

A fotografia captura um instante, põe em evidência um momento, ou seja, o tempo que não pára de correr e de ter transformações. Ao olhar uma fotografia é importante valorizar o salto entre o momento em que o objeto foi clicado e o presente em que se contempla a imagem, porém a ocasião fotografada é capaz de conter o antes e depois.

Confia-se, portanto, na capacidade da câmera fotográfica para guardar os instantes que se consideram valiosos. Tirar fotografias ajuda a combater o nada, o esquecimento. Para recordar é necessário reter certos fragmentos da experiência e esquecer o resto.

Fotografa-se para recordar, porque os acontecimentos terminam e as fotografias permanecem, porém não sabemos se esses momentos foram significativos em si mesmos ou se tornaram memoráveis por terem sido fotografados.

A memória é constitutiva da condição humana: desde sempre o homem tem se ocupado em produzir sinais que permaneçam mais além do futuro, que sirvam de marca da própria existência e que lhe dêem sentido. A fotografia traz consigo mais daquilo do que se vê. Ela não somente capta imagens do mundo, mas pode registrar o “gesto revelador, a expressão que tudo resume, a vida que o movimento acompanha, mas que uma imagem rígida destrói ao seccionar o tempo, se não escolhemos a fração essencial imperceptível” (CORTÁZAR, 1986,p. 30)

A fotografia é capaz de ferir, de comover ou animar uma pessoa. Para cada um ela oferece um tipo de afeto.

Na composição de significado da foto, segundo Barthes (1984), há três fatores principais: o fotógrafo (operator), o objeto (spectrum) e o observador (spectator). O fotógrafo lança seu olhar sobre o assunto, ele o contamina e faz as fotos segundo seu ponto de vista. O objeto (ou modelo) se modifica na frente de uma lente, simulando uma coisa que não é. No caso do observador, ele gera mais um campo de significado, lançando todo o seu repertório e alterando mais uma vez a imagem.

Barthes (1984, p. 45) observa ainda a presença de dois elementos na fotografia, aquilo que o fotógrafo quis transmitir é chamado de studium, ou seja, é o óbvio, aquilo que é intencional. Já quando há um detalhe que não foi pré-produzido pelo autor, recebe o nome de punctum. Esse último gera um outro significado para o observador, fere, atravessa, mexe com sua interpretação.

Por meio das fotografias descobre-se a capacidade de obter camadas inteiras e de emoções que estão escondidas na memória. Também se pode descobrir e obter novas significações que naqueles momentos não estavam explícitas.

As imagens são aparentemente silenciosas. Sempre, no entanto, provocam e conduzem a uma infinidade de discursos em torno delas.

Fotomontagens

Fotomontagem e DUPLA EXPOSIÇÃO – Este fenômeno ocorre quando o fotógrafo obtém uma foto de uma paisagem qualquer, normalmente tendo árvores focalizadas da metade para baixo e o céu limpo da metade para cima. Nesse quadro ele bate a foto de um modelo com forma discóide, tendo somente o céu limpo como fundo. O fotógrafo utiliza 2 fotos por problemas de foco: uma quando o ambiente está longe e outra quando o objeto está perto. Depois de revelar os dois negativos, devidamente posicionados, as duas imagens são sobrepostas no mesmo papel fotossensível, tendo como resultado o ambiente e o modelo focalizados na mesma foto. Essa técnica também é usada utilizando-se as 2 fotos iniciais em slides, projetando os dois em uma única tela ao mesmo tempo, utilizando-se de 2 projetores. Após posicionar as 2 imagens corretamente. Outro processo é o de dupla exposição no mesmo negativo quando a pessoa fotografa o ambiente e depois o objeto em cima de um único negativo. Após a revelação tem-se a foto do conjunto. O técnico de laboratório fotográfico, tendo bons equipamentos em mãos, usando a imaginação e a habilidade na construção de modelos, pode conseguir resultados surpreendentes. Um simples buraco oval em um cartão, colocado no ampliador fotográfico e projetado fora de foco no papel fotossensível, pode conseguir o resultado de uma foto que facilmente pode passar como um disco voador luminoso, fotografado à noite contra o céu escuro. A análise da granulação, das sombras e dos negativos permite, no entanto, detectar esse tipo de fraude.

RETOQUES NAS FOTOS E NOS NEGATIVOS – A pessoa faz uma foto qualquer, previamente preparada. Logo após ter a foto revelada, ela faz um desenho sobre a foto ou a retoca (uma nuvem por exemplo) e em seguida bate uma foto da foto retocada. Na Ufologia temos um caso em que uma pessoa colocou um botão sobre a foto e pintou a sombra no solo, depois bateu outra foto do conjunto. A foto original foi feita de dentro de um avião e, com a sobreposição do botão, parece uma nave voando e projetando a sombra no solo. A análise do negativo também é importante, porque com o auxílio de um pequeno estilete ou um simples alfinete, uma pessoa pode rasurar a película gelatinosa do filme, ou até furar, causando efeitos curiosos. O próprio processo de revelação automática, às vezes, rasura acidentalmente os negativos na hora da revelação. Em laboratórios com processos manuais, a marca da pinça que o técnico usa para mudar o filme de um produto químico para outro, as vezes, chega a riscar a película com uma forma discoidal bem sugestiva.

MANCHA QUÍMICA NO NEGATIVO – Nos laboratórios onde normalmente são reveladas as fotos, é muito comum algum tipo de produto químico respingar, acidental ou propositalmente, sobre o negativo e causar uma mancha. Numa foto aparece um lindo disco voador, a pessoa que não viu nada de anormal na hora da foto, e após a revelação vê impressa na sua fotografia uma imagem sugestiva, passa a acreditar que inesperadamente fotografou um disco voador. A análise do negativo detecta qualquer tipo de mancha de produtos químicos.

PINTURAS EM VIDRO – É comum a pessoa desenhar um disco voador em uma placa de vidro plana e incolor. Ela escolhe um ambiente qualquer de fundo e coloca o vidro entre a máquina fotográfica e o ambiente. Assim se faz a foto. As análises da foto, do negativo e do local são imprescindíveis neste caso. Analisem bem o foco, pois provavelmente o ambiente estará em foco e o “disco voador” não, ou vice-versa.

TEMPO DE EXPOSIÇÃO LONGO EM OBJETOS COM MOVIMENTO – Neste caso, a pessoa fixa a máquina fotográfica em um tripé e dá um tempo de exposição longo (1 a 20 s), sobre um objeto em movimento, tendo o ambiente de fundo fixo. O objeto pode ser um avião, um balão, uma ave, um meteoro, etc… Nas fotos diurnas há necessidade de filtros atenuadores de luz devido ao tempo de exposição, que pode velar totalmente o filme. A análise das características da foto e da máquina permitem qualificar corretamente os efeitos utilizados.

REFLEXOS EM VIDROS DE JANELAS – O simples reflexo de uma luminária acesa em um vidro liso e incolor de uma janela, tendo um ambiente qualquer como fundo, pode mostrar em uma foto a forma típica discoidal. A análise do local neste caso é importante.

High Dynamic Range (HDR, ou Grande Alcance Dinâmico, em português) são métodos utilizados em fotografia, computação gráfica ou processamento de imagens em geral, para alargar o alcance dinâmico (o trecho entre o valor mais escuro e o mais claro de uma imagem). A intenção dessa técnica é representar precisamente nas imagens desde as áreas mais claras, possivelmente iluminadas diretamente por uma fonte de luz até áreas mais escuras, possivelmente em sombras.

Em fotografia, utiliza-se diferentes tempos de exposição numa série de fotografias para atingir-se o grande alcance dinâmico, técnica utilizada pela primeira vez nos anos 40 desenvolvida por Charles Wyckoff, utilizada para tirar fotografias detalhadas de explosões nucleares. Com a ascensão da fotografia digital e software que possibilitasse facilmente a criação de imagens com grande alcance dinâmico, a técnica se popularizou.

Adobe Photoshop é um software caracterizado como editor de imagens bidimensionais do tipo raster (possuindo ainda algumas capacidades de edição típicas dos editores vectoriais) desenvolvido pela Adobe Systems. É considerado o líder no mercado dos editores de imagem profissionais, assim como o programa de facto para edição profissional de imagens digitais e trabalhos de pré-impressão.

Desenvolvimento

Os irmãos Thomas Knoll e John Knoll iniciaram o desenvolvimento do Photoshop em 1987 e a versão 1.0 foi lançada pela Adobe em 1990. O programa era destinado desde o início como ferramenta de manipulação de imagens provenientes de digitalizadores, que eram raros e dispendiosos naquela época.

Características

Apesar de ter sido concebido para edição de imagens para impressão em papel, o Photoshop está a ser cada vez mais usado também para produzir imagens destinadas à World Wide Web. Até a versão 9.0(CS2) o programa, o Adobe ImageReady, muito semelhante ao Photoshop, que era utilizado em conjunto para a edição e criação de imagens e animações para a internet. A partir da versão 10(CS3), os recursos do Adobe ImageReady estão incluídos dentro do próprio Photoshop.

O Photoshop também suporta edição com outros tipos de programas da Adobe, especializados em determinadas áreas: o já referido Adobe ImageReady (edição de imagens para a web), Adobe InDesign (edição de texto) Adobe Illustrator (edição de gráficos vectoriais), Adobe Premiere (edição de vídeo não-linear), Adobe After Effects (edição de efeitos especiais em vídeo) e o Adobe Encore DVD (edição destinada a DVDs). Os formatos de arquivos nativos do Photoshop (PSD ou PDD) podem ser usados entre estes programas. A título de exemplo, o Photoshop CS permite fazer elementos da interface gráfica de DVDs (menus e botões), desde que dispostos separadamente no ficheiro original (PSD ou PDD) por camadas (layers) agrupadas por ordem específica, de forma que, ao ser importado pelo Adobe Encore DVD, este consiga criar a edição para DVD com esses elementos.

O uso das camadas não é um recurso novo inventado pelos desenvolvedores do Photoshop, ele foi desenvolvido há muito tempo pelos ilustradores. Segundo Richard Valliere em seu livro, Manipulator of Movement:”[…]em dezembro de 1914 é patenteada aquela que efectivamente foi a maior contribuição técnica para a animação tradicional até o advento da computação gráfica: o desenho sobre folhas de celulóide transparente – em português vulgarmente chamada de acetato”. Essa inovação coube ao animador norte-americano Earl Hurd.”

Portanto, é mais um recurso existente no mundo real que foi aproveitado pela ferramenta Photoshop para facilitar o trabalho de seus usuários, assim como certos efeitos que reproduzem técnicas de pintura, máscaras, uma técnica muito utilizada em gráficas e impressão offset.

Enquanto o Photoshop é praticamente utilizado por profissionais, monopolizando mesmo este mercado, o seu preço elevado, deixa margem para outros programas concorrentes, ganharem mercado noutras faixas, como por exemplo, o GIMP, um programa gratuito. De forma a competir com este mercado, e também para combater a pirataria de que o Photoshop é alvo, a Adobe lançou um programa semelhante para o mercado doméstico, o Adobe Photoshop Elements, mas com muitas funções profissionais removidas do Photoshop original.

Impacto cultural

O termo photoshopping é um neologismo que significa “editar uma imagem” independentemente do programa que se utilize (de forma similar ao neologismo Googlar). A Adobe desencoraja o uso do termo devido ao receio de distorcer a imagem de marca da empresa.] O termo “photoshop” também é usado como substantivo relativamente à imagem alterada. São termos populares utilizados por membros de sites como “Something Awful”, “Fark.com”, “B3ta” e “Worth1000”. O objectivo de alterar uma imagem é torná-la humorística ou inteligente, muitas vezes através de referências a piadas e à cultura pop. Numa vertente mais recente neste âmbito é a chamada fake (traduzida por falso), em que se alteram imagens parodiando figuras célebres, com imagens de nus ou pornográficas. Surgiram até concursos de Photoshop em que profissionais e amadores competiam para mostrar as suas capacidades de edição de imagens nestas vertentes.

O termo é também por vezes utilizado por artistas, para se referir a imagens que tenham sido retocadas (retouched) ao invés das imagens originais. Um problema comum entre os vários tipos de utilizadores do Photoshop é evitar que os seus trabalhos se pareçam com o “aspecto Photoshop” (intrínseco entre todos os programas de edição de imagem).

Também recentemente, o Photoshop é usado para alterar e desenhar veículos, normalmente carros, processo esse, denominado por digi-modding, photoshopping ou tuning virtual. Já são muitos os sites que se dedicam a este aspecto, e este novo tipo de “arte” tem-se expandido. E apesar dos sites, permitirem às pessoas mostrarem os seus carros, publicamente na internet, os carros manipulados digitalmente já existem há muito tempo nas revistas de automóveis.

Brilhante: David Lachapelle O fotógrafo americano já convenceu dezenas de celebridades a fazer poses constrangedoras. Fotografou Angelina Jolie de boca aberta em posição sensual e Amanda Lepore cheirando diamantes. A foto abaixo, intitulada “Make over: Surgery Story”, é um dos exemplos de usos geniais do programa, inclusive para causar reflexões.

O Photoshop faz mal à saúde

por Valérie Boyer

É preciso avisar em propagandas, revistas ou jornais quando uma fotografia é modificada por programas de computador. Só assim saberemos com precisão a fronteira entre a imagem real e a virtual. Vivemos em uma sociedade da imagem, na qual a figura do corpo tem muita importância. Entretanto, partimos de um modelo restrito do que é belo, uniformizamos a beleza. Valorizamos a diversidade das origens, mas as mulheres, sejam elas americanas, francesas, brasileiras ou japonesas, são todas iguais e, se fugirem aos padrões desejados, são transformadas pelo computador para entrarem no modelo. Imitamos corpos e belezas inacessíveis, que não são verdadeiros. 

Além disso, é falta de honestidade com o leitor ou consumidor oferecer corpos irreais sem avisar. Hoje em dia, a alteração das imagens é a regra, e não advertir que alguém aparece retocado na imagem é, no mínimo, injusto. Ficamos chocados com a mentira das palavras, enquanto a mentira das fotos é permitida, aceita e até valorizada. Quando um jornalista publica uma reportagem mentirosa, ele pode ser acusado de difamação e condenado, mas fazer o mesmo com fotografias é permitido. 

Há um ano e meio fiz uma proposta de emenda à lei francesa para que fosse colocado um aviso em fotos modificadas digitalmente. Ela foi rejeitada e, em setembro deste ano, refiz a proposta, não como uma emenda, mas como um projeto de lei visando a saúde pública. Assim, todo retrato retocado por programas de computador viria com um selo. O projeto tem um duplo objetivo: prevenir distúrbios de saúde, já que a pressão da imagem irreal sobre as mulheres, sobretudo, pode ser um fator de frustração e provocar problemas psicológicos e alimentares (como a anorexia ou bulimia); e advertir o consumidor para que ele saiba se o que está consumindo é uma imagem verdadeira ou não. 

Não pretendo, com isso, limitar a criação de artistas e fotógrafos, mas, simplesmente, dizer a verdade aos cidadãos e consumidores. Parece que estamos vivendo no ambiente do livro Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley. Ali, os seres são classificados em categorias. Na mais alta escala, todos são belos e perfeitos, na mais baixa, todos são feios e obesos. É preciso criar uma educação das imagens para saber distinguir o verdadeiro do falso. Sem isso, seremos sempre incapazes de ser o que as fotos nos impõem.

O que a mulher-melancia e a Nebulosa do Cone, que fica na constelação de Monoceros, a 2.600 anos-luz da Terra, têm em comum? Ambas precisam passar por programas de tratamento de imagens para ficarem bem na foto. Claro que, com a Nebulosa do Cone, problema não são as gordurinhas sobrando. 

A Agência Espacial Americana (Nasa) costuma ter um baita trabalho para deixar as imagens do espaço bonitas. O problema é que a maioria dos telescópios grava imagens em tons de cinza, que precisam passar por um tratamento para ganhar cor. Por isso, a Nasa e outras agências espaciais têm equipes especializadas para colorir as fotos com um software especial. Mas nada de enganar o público, como fazem algumas revistas masculinas por aí, que transformam qualquer fruta em mulherão. Tudo é embasado cientificamente. 

Numa foto astronômica, desde as galáxias brilhantes até as estrelas longínquas e opacas são capturadas. E com um software adequado, é possível colorir esses detalhes por meio de composições com canais RGB (veja o gráfico ao lado). Nessa etapa, as cores simuladas são fiéis ao que nós enxergaríamos a olho nu. Porém as imagens divulgadas pelas agências vão além disso. Como os telescópios conseguem captar as radiações ultravioleta e infravermelhas, invisíveis para nós, as galáxias são coloridas de maneira fidedigna, mas que não poderíamos ver naturalmente. Em 2004, foi lançado um plug-in gratuito para Photoshop chamado FITS Liberator. Com ele, até leigos podem replicar o processo em casa.

O “exagero” existe quando estamos falando de fotografia realista, comercial, “que deveria ser verdadeira”. Aquela onde a manipulação deveria passar despercebida sendo tida como realidade. Neste caso exagerar não é legal. Vemos o resultado desse exagero indevido em algumas fotos de revistas com mulheres nuas perfeitas e sem poros na pele, em cores extremamente saturadas e impossíveis, paisagens que não existem e por aí vai. Se o objetivo não é criar arte exagerar sempre será um mau negócio.

Quando manipular é legal

“Photoshopar” uma foto não é algo que possa ser condenado ou até mesmo evitado. Manipular hoje é normal e ao invés de evitar completamente fazê-lo devemos usar com bom gosto todas as possibilidades que os aplicativos nos oferecem para melhorar fotos que já saem boas da câmera.

Lembre-se: uma foto espetacular já sai espetacular da câmera. Manipulação vai deixá-la mais espetacular ainda. Uma foto mediana não será magicamente transformada por um software.

Idec mostra que alimentos expostos nas embalagens não correspondem à realidade e podem levar o consumidor a erro

Levantamento recente do Idec (Instituto de Defesa do Consumidor) comparando alimentos industrializados expostos nas embalagens ou em fotografias nas lojas com a real aparência reacendeu a polêmica sobre manipulação de imagens. Entraram no estudo comida pronta e congelada, vendida no supermercado, e pratos de restaurantes de fast-food. A conclusão dos técnicos do Idec é de que os produtos apresentados pelos fabricantes não correspondem à realidade e isso, segundo o Código de Defesa do Consumidor, pode ser configurado como propaganda enganosa.

Carlos Thadeu, diretor de comunicação do Idec e editor da revista Idec, onde o estudo foi publicado, comenta que essa é uma prática generalizada da indústria e que a ideia de fazer o levantamento surgiu a partir das reclamações que “chegam todos os anos” ao órgão.

“Recebemos queixas fotografadas, inclusive. Os panetones são os campeões de audiência. A queixa mais comum é comprei o produto, mas ele não tem nada a ver com a caixa”, lembrou Thadeu. O diretor explica que a intenção da equipe não foi apontar esta ou aquela marca, embora a pesquisa tenha citado as marcas dos produtos pesquisados. A escolha foi aleatória.

“Sabemos que a manipulação de imagens é um recurso comum dentro da propaganda, mas o estudo deve servir como alerta porque muitas vezes a diferença entre realidade e imagem é grande e o Código é claro a respeito de alteração de características e qualidade”, disse Thadeu.

O Artigo 37 do Código do Consumidor diz: “É enganosa qualquer modalidade de informação ou comunicação de caráter publicitário, inteira ou parcialmente falsa, ou, por qualquer outro modo, mesmo por omissão, capaz de induzir em erro o consumidor a respeito da natureza, características, qualidade, quantidade, propriedades…”

Comparações

O Idec destacou que o objetivo da pesquisa foi materializar a decepção do consumidor e trazer um alerta para o meio publicitário e fabricantes. Entre as comparações do levantamento está a pizza congelada da Sadia com menos azeitonas e queijo do que na imagem da caixa. Os congelados foram preparados pelos pesquisadores seguindo as instruções das embalagens.

Os técnicos também encontraram cookies da Bauducco com menos gotinhas de chocolate do que na embalagem, esfiha do Habib’s recheada com carne bem menos corada do que a do cartaz, panetone da Visconti com menos chocolate e wafer Mabel mais pálido do que no rótulo.

A Sadia informou que todas as imagens que constam das embalagens que levam sua marca são produzidas em estúdio fotográfico e que são utilizados apenas produtos reais. “No entanto, por ser uma produção fotográfica, ocasionalmente podem ocorrer diferenças de apresentação em relação ao produto original. Por esse motivo, a Sadia informa em suas embalagens que se trata de foto ilustrativa”.

Para o Idec, ao utilizar a frase “foto ilustrativa” em suas embalagens, os fabricantes pretendem se exonerar da responsabilidade de fornecer um produto cuja aparência está aquém do anunciado previamente. “Trazer a frase foto ilustrativa é quase que trivial, é claro que é meramente ilustrativa. É importante observar que existe distância tão grande em alguns casos, que você está falando de produtos de qualidades diferentes”, ressaltou o diretor do Idec.

A Pandurata, proprietária das marcas Bauducco e Visconti, afirmou que “por não ter acesso à avaliação realizada pela entidade, a empresa fica impossibilitada de prestar maiores esclarecimentos neste momento”. Habib’s foi procurado, mas não respondeu à reportagem. Mabel também não respondeu.

Luciana Pellegrino, diretora executiva da Abre (Associação Brasileira de Embalagens), com 300 associados, afirma que a posição da entidade é que não seja efetuado nenhum tipo de propaganda enganosa por meio da embalagem.

A executiva faz uma ressalva de que hoje a embalagem é efetivamente ferramenta de comunicação muito importante entre empresa e consumidor. “No ponto-de-venda, a comunicação se dá principalmente através da embalagem. Por isso é importante que embalagem traga informação transparente e clara, para criar elo seguro sobre referências da marca e o consumidor”, falou Luciana.

Ela ressalta que o consumidor que se sentir lesado deve fazer uso do SAC das próprias empresas e das entidades de Defesa do Consumidor. “O contato do consumidor com as empresas através do SAC traz resultado efetivo. É importante ter a opinião dele para a empresa fazer adequações”, disse a diretora da Abre.

Profundidade de Campo

Este é um assunto da mais alta importância na arte fotográfica. Considerando um determinado enquadramento feito pela objetiva da câmara, como por exemplo uma paisagem, a imagem formada dentro da câmara tem necessariamente uma área de nitidez, ou seja, uma área em que determinados elementos estão perfeitamente focados. Ora, essa área é variável, podendo estar nítido apenas um elemento, ou dois, ou ainda toda a paisagem. Quando toda a paisagem está em foco, dizemos que se trata de uma grande profundidade de campo, e quando apenas alguns elementos selecionados estão em foco, dizemos que a imagem tem pouca profundidade de campo. Então, a profundidade de campo regula a área de nitidez de uma imagem fotográfica, podendo ser assim definida:

A área de nitidez entre dois planos determinados que aparecem nítidos é chamada PROFUNDIDADE DE CAMPO.

Dissemos que numa paisagem, podemos escolher entre deixar todos os elementos em foco (nítidos) ou selecionar alguns. Como isso pode ser controlado? É que a profundidade de campo é determinada por dois fatores básicos, que são:
1. A abertura do Diafragma
2. O Tamanho da Imagem formada

O segundo fator, tamanho da imagem formada, depende de dois outros fatores, que são:
a) A Distância Focal
b) Distância entre a câmara e o assunto

Assim, temos que, selecionando o diafragma, a objetiva e a distância entre a câmara e o assunto, podemos controlar a profundidade de campo. A razão dentro de cada um desses fatores é a seguinte:
Quanto ao diafragma, quanto mais fechado, maior profundidade de campo, e quanto mais aberto, menor.
Quanto à objetiva, quanto mais grande-angular, maior a profundidade de campo, e quanto mais tele, menor.
Quanto à distância câmara-assunto, quanto mais próximos estamos de um assunto, menor a profundidade, e quanto mais afastados, maior. Mas, sobre o tamanho da Imagem, cumpre dizer que tanto a distância câmara-assunto quanto a distância focal são faces de uma mesma moeda, e que se traduzem no ângulo abrangido (tamanho do assunto) pela objetiva.

A ilustração ao lado nos dá alguns exemplos de profundidade de campo.
Uma abertura grande dá menos profundidade ou área de nitidez do que uma pequena. Com uma lente de 50 mm focalizada a 3 metros do assunto, uma abertura f/2 fornece uma profundidade de 30 centímetros; isto quer dizer que qualquer assunto dentro dessa área sairá nítido. Entretanto, uma abertura de f/16, na mesma situação, dará uma profundidade de 2,7 metros, criando uma área grande de nitidez na frente e atrás do assunto.

À medida que aumenta o tamanho da imagem para um dado assunto a profundidade diminui. Então se pode reduzi-la, chegando mais perto daquele ou mudando para uma lente de distância focal mais longa, que também tem o efeito de aumentar o tamanho da imagem.
O inverso é verdadeiro: diminuindo o tamanho da imagem do assunto  afastando-se deste ou  mudando para uma lente de distância focal mais curta aumenta a profundidade, dada a mesma abertura.

A razão pela qual uma pequena abertura implica em grande profundidade de campo está nos chamados “Círculos de Confusão”, que são os minúsculos raios de luz que passam pelas lentes da objetiva e formam uma imagem no fundo da câmara. Se o tamanho dos círculos for pequeno, será grande a profundidade de campo, e vice-versa. O tamanho destes círculos é determinado pela abertura do diafragma, já que os raios de luz são condicionados a passar pelo centro da lente, concentrando-os.

A profundidade de campo também tem implicações estéticas, ou seja, a escolha de maior ou menor área de nitidez numa foto pode ser muito relevante para um determinado assunto.
Isso se dá porque o ato de fotografar implicará na transformação de uma perspectiva tridimensional noutra bidimensional, que é justamente o fotograma.

Foto tirada com uma grande angular: além da perspectiva, que permite enquadrar objetos próximos e distantes ao mesmo tempo, temos também uma grande profundidade de campo. Foto: Filipe Salles


Não obstante, uma paisagem ainda assim será tridimensional segundo nossa percepção, e os vários planos de cada elemento da paisagem aparecerão diferenciados de forma a nos dar uma perspectiva de distância entre cada um destes elementos, como árvores, pessoas, etc…
A profundidade de campo é, além de uma conseqüência física direta da ótica das lentes, também um recurso que simula esta distância entre elementos num plano bidimensional, deixando determinadas áreas nítidas e outras não, gerando assim pontos de interesse maior que outros, ou equilibrando diversos pontos com maior área de nitidez.

A nitidez geral pode influenciar grandemente a percepção fotográfica dos assuntos incluídos na cena. Se for demasiada, poderá criar um caos visual que afogará o assunto numa avalanche de detalhes irrelevantes. Se for de menos, deixará partes importantes do assunto mal definidas e até irreconhecíveis. A medida exata varia muito, dependendo do assunto, e deve ser escolhida segundo a sensibilidade pessoal do fotógrafo.

Em oposição ao primeiro exemplo, este, tirado com uma objetiva normal, não permite o enquadramento de muitos elementos distantes, sendo que estes e os mais próximos ficam desfocados, em virtude da pouca profundidade de campo. Foto: Filipe Salles

IV) Distância Hiperfocal

Se temos um assunto focalizado a grande distância, podemos ganhar profundidade de campo utilizando a distância Hiperfocal de uma lente. Consiste numa relação de profundidade cuja referência é o foco no infinito. Desta maneira, se o assunto está pouco antes do infinito, podemos mover o foco final deste para o limite do assunto, ganhando maior profundidade antes do assunto, ou vice-versa, estender o foco tendo como limite o assunto e indo até o infinito.
Como exemplo, imagine uma lente 50mm com foco a dez metros e diafragma f/22. Como a profundidade natural desta abertura é grande, temos também, em conseqüência, maior mobilidade da hiperfocal. Se quisermos, ao invés de ter foco na região completa da profundidade, selecionar o foco para que este não acabe no infinito, podemos consultar uma tabela da hiperfocal no diafragma e na distância focal vigentes e focalizar a objetiva muito antes de dez metros, até que o infinito saia de foco, mas o assunto não.

BIBLIOGRAFIA DE APOIO:

ADAMS, AnselA Câmera. São Paulo, Editora SENAC, 2001
LANGFORD, MichaelFotografia Básica . Rio de Janeiro, Dinalivro/Martins Fontes, 1979
MUELLER, Conrad & RUDOLPH, MaeLuz e Visão. In Biblioteca Científica Life, Livraria José Olympio Editora, RJ, 1968

Apostila de Fotografia
Escrita por: Prof. Filipe Salles
Colaboração: Rodrigo Whitaker
Diagramação: Laura Del Rey
Copyright ©2004 Filipe Salles